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Balancete revela que Coden encerrou 2023 com prejuízo de R$ 3,8 milhões

Coden Ambiental fechou mais um ano com déficit financeiro em suas contas e prepara um aumento de 14,74% nas contas de água a partir do dia 1° de abril

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Paulo Medina
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A Coden Ambiental, responsável pelo saneamento básico de Nova Odessa, encerrou o ano de 2023 com um prejuízo de mais de R$ 3,8 milhões. Os dados constam no relatório das contas da empresa publicado no diário oficial do município.
O rombo financeiro da Coden foi abordado pelo presidente da Câmara de Nova Odessa, Wagner Morais, na sessão do Legislativo desta semana, após um estudo contábil do balancete financeiro apontar mais um ano de desequilíbrio da empresa. Nos três últimos exercícios financeiros da Coden, foram mais de R$ 8,4 milhões em prejuízos, alertou Morais.
“A Coden fecha mais um ano no prejuízo, nunca tinha acontecido isso na história de Nova Odessa. É a primeira vez que vejo uma empresa que funcionava como um reloginho, um exemplo de empresa, fechando no negativo. Ano de 2023, prejuízo de R$ 3,8 milhões. Quase R$ 4 milhões de prejuízo em 2023, uma empresa que era exemplo para nós e para a região. Somando os três exercícios, 2021, 2022 e 2023, acumulado, cai o queixo: R$ 8,4 milhões de prejuízo. Nunca vi isso, é triste para o novaodessense que é apaixonado pela cidade, que gosta muito da Coden e de seus funcionários, que são exemplo. Isso mostra uma ineficiência de gestão, uma administração incompetente para chegar a um ponto desse. Você pega a casa toda mobiliada, perfeita, com as contas pagas, funcionando perfeitamente, seus funcionários todos pagos em dia – graças a Deus até agora estão pagando os funcionários em dia pelo menos -, mas o prejuízo está acumulado. Alguém vai pagar essa conta e temo que esse aumento da água seja justamente para pagar essa incompetência da administração da Coden”, declarou.
O contador José Luiz Dutra Ferreira chamou atenção para os prejuízos da Coden mesmo sem grandes obras na cidade. “Se a gente for fazer uma análise nesses três anos inexistiu qualquer grande obra realizada pela Coden, com recursos da Coden principalmente, então não tivemos desassoreamento, construção de represa, troca de rede de água e esgoto, muito menos a execução de mais uma nova fase da Estação de Tratamento de Esgoto para estar suprindo novos moradores por conta desse monte de bairros e condomínios novos liberados da atual administração. O maior custo da Coden é folha de pagamento e energia elétrica”, diz.
Dutra afirma que o aumento da água não deve cobrir o déficit da empresa.
“Apesar do aumento exorbitante do valor da tarifa de água, ela não vai conseguir cobrir o rombo e se a Coden não fizer um contingenciamento de despesa, vai ter mais um ano de prejuízo, somando quatro anos da gestão, todas com prejuízo. Isso aí é uma notícia lastimável”.
Ressalvas foram apresentadas pelos auditores da empresa, que indicaram possíveis reflexos negativos nos resultados financeiros da Coden.
Os auditores destacaram algumas bases para suas ressalvas. Primeiramente, mencionaram que os controles internos da empresa estão em fase final de implantação, o que pode ter impacto nos resultados financeiros. Além disso, identificaram divergências entre os controles financeiros e contábeis relacionados às contas a receber, que ainda não foram completamente reconciliadas.
Comunicados sobre as constatações da auditoria foram feitos aos responsáveis pela governança da Coden, incluindo eventuais deficiências nos controles internos identificados durante os trabalhos de auditoria.
Em dezembro passado, a Coden já acumulava um prejuízo de R$ 3,1 milhões só em 2023. Os números constavam no demonstrativo financeiro referente ao 3º trimestre de 2023, publicado no dia 8 de novembro.
Aumento da água
Em fevereiro, a Agência Reguladora ARES-PCJ emitiu parecer favorável ao aumento de 14,74% nas contas de água e esgoto de Nova Odessa. A revisão foi aprovada pelo Conselho Municipal de Regulação e Controle Social e passa a vigorar a partir de 1º de abril, nas contas com vencimento em maio. Considerando a categoria residencial, na faixa mínima de consumo, que vai até 5 mil litros de água por mês, a revisão representará um aumento de R$ 4,40. Para o maior consumo dentro desta faixa, que é de 5 mil litros, a conta passará de R$ 29,60 para R$ 34,00.
Já para a faixa de consumo que abrange a maior parte das residências da cidade, que vai de 11 a 15 mil litros de água por mês, e levando em conta o maior consumo dentro desta faixa, ou seja, 15 mil litros, a revisão corresponderá a um acréscimo de R$ 15,30, com a conta passando de R$ 103,80 para R$ 119,10.
A Coden Ambiental não se pronunciou sobre os prejuízos até o momento.