Da Redação
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O rombo nas contas da Prefeitura de Nova Odessa passou de R$ 29 milhões no 5º bimestre deste ano. É o que mostra o Relatório Resumido da Execução Orçamentária publicado pela própria Administração na edição da última sexta-feira do Diário Oficial do Município. De acordo com o documento, entre janeiro e outubro, a prefeitura arrecadou pouco mais de R$ 249.620 milhões em receitas. Contudo, no mesmo período, as despesas liquidadas totalizaram R$ 278.904 milhões, resultando num déficit orçamentário de R$ 29.284 milhões até o quinto bimestre deste ano. A reportagem questionou, via assessoria de imprensa do Poder Executivo, o prefeito Cláudio José Schooder, o Leitinho, sobre o resultado negativo nas contas públicas, mas não houve manifestação até o fechamento da edição.
“Que a Prefeitura de Nova Odessa tá quebrando, isso tá! Vinte e nove milhões de déficit, tá publicado no Diário Oficial! Isso (referente as despesas) liquidadas. Se colocar todos os empenhos, (o déficit) passa de R$ 50 milhões”, afirmou o vereador Elvis Garcia, o Pelé, durante a sessão da Câmara realizada ontem, quando os vereadores aprovaram requerimento de sua autoria que cobra do prefeito Leitinho a lista de credores que ficaram sem receber da prefeitura após a publicação do decreto que deu início ao processo de corte de despesas municipais na tentativa de adequar o caixa da prefeitura.
O decreto 4.731, assinado por Leitinho, foi publicado no mês passado. No documento, o prefeito afirma que os cofres públicos passam por “momentânea dificuldade” e que, considerando justificativas apresentadas pelo secretário de Finanças, Hamilton Lourençatto, estava autorizada a quebra da ordem cronológica para o pagamento de despesas “essenciais” visando o prosseguimento das atividades e a manutenção da administração pública.
A prefeitura não explicou, contudo, o valor que pretende economizar com o corte de despesas determinado pelo prefeito, de que forma isso será feito e quais secretarias serão atingidas. Na ocasião, o JNO quis saber se a prefeitura estava em atraso com algum fornecedor e se há algum risco de paralisação dos serviços oferecidos à população, mas a prefeitura também não se manifestou.
“Os atos do Poder Executivo, a meu ver, têm sido muito obscuros. O prefeito não pode publicar um decreto quebrando, pura e simplesmente, a ordem cronológica de pagamentos, sem especificar os critérios que vai adotar para escolher o fornecedor que vai receber o seu crédito perante à Administração e, ao mesmo tempo, quem ficará sem receber. Vejo que falta muita transparência, inclusive, em relação aos empenhos liquidados. A ausência dessas informações fere a Lei de Responsabilidade Fiscal e impede o nosso trabalho de fiscalização”, explicou Pelé.