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Postos de saúde de Nova Odessa estão sem vacina contra catapora

Médicos alertam para um grave problema de saúde pública, já que o organismo humano não tem imunidade natural contra o vírus e a doença é extremamente contagiosa

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Da Redação
redacao@jno.com.br

As UBS’s (Unidades Básicas de Saúde) de Nova Odessa estão sem a vacina contra a varicela (catapora). A doença é extremamente contagiosa e a falta de imunização pode gerar um grave problema de saúde pública, alertam os médicos, uma vez que o organismo humano não tem imunidade natural contra o vírus. De acordo com o calendário de vacinação do Ministério da Saúde, as crianças devem receber a primeira dose da vacina contra a catapora com 15 meses, sendo o reforço aplicado aos 4 anos.
A dona de casa Kátia Aparecida de Paula, que mora no Jardim Alvorada, foi pega de surpresa quando chegou à UBS 5 – que fica no mesmo bairro – e foi informada pela atendente de que o neto, que tem 15 meses, não receberia a primeira dose da vacina contra a catapora. “A gente fica meio sem saber o que fazer né? O que a gente espera é que quando vem no postinho, tem todas as vacinas que a criança precisa. E agora, quando meu neto vai receber a primeira dose?, indagou ela.
A reportagem do JNO questionou a Secretaria de Saúde sobre quando foi a última vez que o município recebeu doses da vacina e quantas foram entregues, bem como a média mensal de imunizações contra a catapora e se há uma previsão para que o problema seja solucionado. Em resposta, a diretora da Vigilância em Saúde, Joseane Gomes, disse apenas que “a vacina está em falta na rede pública, não apenas em Nova Odessa, mas em todas as cidades e que já faz alguns meses que não vem”.
A médica infectologista e pediatra Silvia Fonseca explica que a catapora pode desencadear quadros mais graves de saúde se a criança não for imunizada. “A varicela não é uma doença banal. Ela pode ser banal, uma infecção com uma ou duas bolinhas, e a mãe nem percebe que a criança ficou doente. Mas também é muito comum que a criança tenha muitas bolinhas pelo corpo e isso pode fazer ela ficar com febre, diarreia e vomito, e ela pode ir para uma forma mais grave, com pneumonia, meningite, encefalite, que é uma infecção no cérebro. Então, não é uma doença banal”, explicou.

ESTOQUE
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde, o imunizante está em falta porque o Ministério da Saúde enviou uma quantidade menor do que foi solicitada pelo estado. Em setembro, o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) recebeu um comunicado do Ministério da Saúde relatando indisponibilidade de aquisição e distribuição da vacina contra a varicela (catapora), por problemas relacionados à qualidade na produção internacional do imunizante, o que afetou a distribuição do imunobiológicos para os estados.
O Estado precisa de cerca de 270 mil doses da vacina por mês. Em outubro, porém, recebeu cerca de 30 mil doses e, em dezembro, 50 mil.
Em nota, o Ministério da Saúde disse que em março do ano passado a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão do fornecimento da vacina de varicela para avaliação de uma nova composição do imunizante, sendo liberada em julho. A interrupção do fornecimento, porém, provocou um atraso no abastecimento global da vacina, que resultou no desabastecimento em alguns estados.