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O Estresse Ambiental

O ambiente do planeta Terra não anda dos melhores. Ambiente, aqui, no contexto mais generalizante possível. O ambiente moral é fétido, pois a ética encontra-se putrefata. Mas o ambiente físico não está melhor. Três séculos de industrialização deveriam ter gerado progresso integral. Produziram desigualdade social, miséria e sujeira.

O custo imposto aos sistemas naturais é intolerável. Clima, água, ar, biodiversidade, florestas e oceanos foram submetidos à perene inclemência. Estão num estresse do qual é quase impossível sair.

A extinção das espécies atingiu raias do absurdo. As taxas de desaparecimento são cem vezes maiores do que se poderia suportar. Apenas três por cento da população mundial vivia em áreas urbanas em 1800. Hoje, mais da metade dos 7,4 bilhões de habitantes do mundo se acotovelam em áreas urbanas. Áreas degradadas, pois mataram a floresta, sepultaram os cursos d’água, semearam pesticidas, dizimaram toda espécie de vida. Inclusive a humana, que em sua maioria não usufrui do supra direito à dignidade da pessoa.

Noventa e dois por cento da população sofrem com a poluição atmosférica acima dos níveis de segurança propostos pela OMS – Organização Mundial de Saúde. São dados do Banco Mundial e Institute for Health MetricsandEvaluation de 2016.

Os prognósticos são os piores possíveis. Dentro de algumas décadas, haverá mais plástico do que peixes nos oceanos, em termos de peso e volume físico. Informação confiável do Fórum Econômico Mundial de 2016. Em 2014, o World ResourcesInstitutes indicava que o gás carbônico mundialmente emitido já estava cento e cinquenta vezes maior e, portanto, mais letal, do que em 1850.

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A temperatura mundial não para de subir. Só não sente quem recebe de empresas poluidoras para elaborar teses, dissertações e ensaios para “provar” que o aquecimento global é estória dos eco-fundamentalistas.

Usufruímos de um clima estável nos últimos dez mil anos de vida neste planeta. Neste século, estamos enterrando esse bem que só em teoria é intangível. Quando mais crianças morrerem por falta de oxigênio, quando desastres meteorológicos causarem mais mortes em todos os continentes, quando a seca aumentar em vastas áreas e a inundação impedir a subsistência em outras, talvez seja tarde demais.

O que a política faz pelo ambiente, a não ser conspurca-lo mais a cada momento? Triste espécie a raça humana. Escolheu o suicídio e o faz iludida em ficção científica, mais próxima a relatos de terror do que em narrativas que pudessem fazer acreditar que ela de fato é racional e inteligente.

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Ambiental”, 4ª ed., RT-Thomson Reuters.

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