A violência se tornou banal

Gesto de arminha, policiais agredindo carroceiros, homem violentando sua namorada, quatro indivíduos baleados no Canadá, etc.. Existe uma maior propensão do ser humano em divulgar tragédias do que notícias boas. A violência contagia rapidamente e ela está na mídia. Mesmo que, na melhor das intenções, os veículos divulguem tais fatos como denúncia, eles acabam de certa forma prejudicando.

É necessário informar, alguns diriam. É verdade. Mas, acredito que não adianta divulgar acontecimentos sem desenvolver a consciência do povo, sem fazê-los duvidar, questionar, ter um pensamento crítico dos acontecimentos, dos fatos.

Falta consciência hoje em dia. E isso acontece pela normalização/banalização da comunicação. No caso em questão, da violência. Pense comigo: qual foi a última vez que você olhou uma fotografia, em casa, e sentiu aquela nostalgia tamanha que lembranças vieram à mente? Deixamos a missão de guardar as fotos para as redes sociais digitais, e quando elas nos avisam que já se passou um ano, paramos e pensamos rapidamente sobre aquele dia, aquele momento, às vezes bom, às vezes desagradável. Contudo, a vida segue.

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O fato é que todo dia é dia de ver imagens, seja de ano passado, seja de ontem, ou de hoje, até mesmo desse exato segundo. Quantas imagens você viu hoje desde a hora que acordou? Há uma probabilidade grande de, pela manhã, ver primeiro imagens virtuais, memes, acidentes, etc. e somente depois ver o cônjuge ou até nós mesmos no espelho do banheiro de casa. As imagens passam por nós de uma forma banal, assim como seu conteúdo.

Quanto mais imagens de violência passam diariamente, mais elas se tornam comuns, banais, normais. É frequente recebermos conteúdos violentos nas redes sociais. O massacre de Suzano foi um grande exemplo disso. Antes mesmo de ser divulgado na grande mídia, as redes de mensagens já estavam disseminando fotos das vítimas. Será mesmo que temos consciência para lidar com tudo isso?

Se não tivermos, a humanidade vai apreender a violência por mimese, ou seja, replicando o comportamento e, quando normatizado, tornando isso cada vez mais comum e frequente. É hora de repensar como estamos lidando com a violência na mídia.

 

Leonardo Torres