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08 de março: 12 mulheres mortas e 500 espancamentos

Como sabemos, o dia 08 de março é considerado o Dia Internacional da Mulher. De acordo com o que consta no site Wikipedia, “na década de 1970, o ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e o dia 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, tendo como objetivo lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas”.
No entanto, nós, brasileiros, novamente nos colocamos à margem da história. Aliás, a contribuição do Brasil para este importante dia será o sacrifício de 12 mulheres (que serão vítimas de homicídios dolosos) e o espancamento de outras quinhentas (agressões físicas – ou 645 se considerarmos as agressões verbais). Esses números levam em consideração apenas os dados oficiais. A realidade, como sabemos, é bem pior.
Assim, dos últimos anos do século XIX aos dias atuais, podemos afirmar, infelizmente, que as lutas ainda não cessaram. Ao contrário, e ao bem da verdade, parece que a sociedade não se cansa de impor desarrazoados “desafios” a essas guerreiras, que se um dia decidissem por “abandonar a sociedade”, como se possível fosse, certamente deixariam um enorme vazio em nossa existência.
E essa impossibilidade de “ser deixado” parece que encoraja uma parcela da sociedade masculina a perpetrar violências de toda ordem contra a mulher, o que o (e nos) torna verdadeiro obstáculo ao desenvolvimento da sociedade como um todo.
Nova Odessa, como parte dessa nação, também da lá suas contribuições… A título de exemplo, no dia 08 de março de 2018, na 1ª Vara Judicial de Nova Odessa haviam quatro audiências designadas, cujos assuntos eram os seguintes: 1) violência doméstica contra a mulher; 2) lesão corporal (cuja vítima é uma mulher); 3) violência doméstica contra a mulher, de novo; e 4) estupro de vulnerável, no caso, uma criança (menina, claro!).
Caso pareça pouco, coloque-se no lugar de qualquer uma das vítimas. Aliás, o que você preferiria sofrer: uma “agressão simples” ou ser violentado sexualmente?
De forma covarde, mediante ação e omissão, contribuímos fortemente para transformar os dias de luta e de glória das mulheres, em dias de espancamento, violência, traumas e até mortes – 12 por dia, em média.
Por isso, talvez, além de posts em redes sociais e mensagens em grupos de aplicativos de celular, o dia de hoje deveria servir para refletirmos acerca da nossa contribuição para a construção de uma nova realidade, de uma sociedade verdadeiramente justa e solidária.
Aliás, qual tem sido a sua contribuição?

 

  • José Carlos de Camargo, advogado. jose.camargo@jcamargo.adv.br