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O que é justo para você?

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Vivemos em uma época em que a palavra “justiça” está sempre presente. Ouvimos com frequência: “isso é injusto”, “aquilo não está certo”, “fulano foi injustiçado”. Mas será que já paramos para pensar, de forma profunda e honesta: o que é justo para mim? E será que o que é justo para mim, também é justo para o outro?
A verdade é que, muitas vezes, chamamos de injustiça tudo aquilo que nos desagrada, que nos contraria ou que, de alguma forma, fere os nossos interesses. Mas, quando a situação se inverte, e somos nós os beneficiados por algo que claramente não é equilibrado ou correto, será que ainda chamamos de injustiça? Ou, nesse momento, preferimos o silêncio conveniente?
A justiça, quando aplicada com verdade, não tem lado. Ela não favorece e nem penaliza com base em preferências, e muito menos em conveniências. Ela é, ou deveria ser, uma balança equilibrada. Mas nós, seres humanos, tendemos a inclinar essa balança quando nos sentimos ameaçados ou contrariados.
E aí surge outro ponto importante: a proporção. Será que pequenos erros podem justificar grandes erros? Ou grandes erros tornam os pequenos irrelevantes ou mesmo injustos? É como se tentássemos medir o certo e o errado com uma régua flexível, que muda de tamanho conforme nossa conveniência. Mas justiça de verdade não se mede assim.
Justiça não é sobre compensar erro com erro. Não é sobre revanche. Não é sobre inverter papéis. É sobre compreender o contexto, pesar as atitudes, assumir responsabilidades e buscar o equilíbrio. E, acima de tudo, é sobre consciência.
Cometer uma injustiça — mesmo que pequena — dá direito ao outro de cometer uma maior? Quando deixamos de agir corretamente porque alguém errou conosco, será que estamos contribuindo para tornar as coisas mais justas ou apenas alimentando um ciclo de desequilíbrio?
Ser justo, no fim das contas, não é só agir conforme a lei ou a regra. É agir com empatia, com ética, com responsabilidade. É saber que o que é certo não muda de acordo com quem está envolvido.
Então fica a pergunta: o que é justo para você? E mais ainda: o que você tem feito para que a justiça, a verdadeira, comece também por suas atitudes?
Porque, no fim, justiça não é apenas um direito. É também um dever.
Com reflexão e consciência,

Juçara Rosolen