Paulo Medina
redacao@jno.com.br
Nova Odessa fechou o mês de setembro deste ano com um saldo negativo de 168 empregos, o pior desempenho entre as 20 cidades da RMC (Região Metropolitana de Campinas), conforme dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego. Em média, a cidade perdeu quase seis empregos por dia. O déficit de vagas na cidade é um contraste regional e ocorre em um cenário onde a maioria das cidades vizinhas experimentaram saldo positivo na geração de empregos formais.
O resultado negativo de Nova Odessa revela uma retração em quase todos os setores da economia local, segundo o Caged. O setor de serviços foi o mais afetado na cidade, com o fechamento de 81 postos, expondo uma baixa no segmento que historicamente está entre os líderes na geração de empregos formais na maioria dos municípios da RMC. Em setembro de 2023, no entanto, Nova Odessa teve saldo positivo de 98 empregos.
O comércio, setor importante para a economia local, também teve saldo negativo, fechando 56 postos de trabalho no período. Na indústria, as demissões também superaram as contratações, resultando em um saldo negativo de 25 empregos.
A construção civil, setor que costuma aquecer o mercado em períodos de crescimento, também sofreu retração, com o encerramento de seis vagas.
Em setembro, as empresas de Nova Odessa realizaram 1.244 contratações, mas demitiram 1.412 trabalhadores, culminando no saldo negativo de 168 postos de trabalho.
Tais dados contrastam com o desempenho de outras cidades da região, que alcançaram números positivos e mostraram um cenário favorável no período. Campinas liderou a criação de empregos em setembro, com saldo de 1.247 vagas, fortalecida pela diversidade de setores, que incluem tecnologia, serviços e indústria. Em seguida, Sumaré criou 354 vagas. Americana também registrou saldo positivo, com 328 novos empregos.
Outros municípios da RMC que mantiveram um bom desempenho incluem Jaguariúna, que criou 318 novas vagas, e Paulínia, que somou 291 empregos. Holambra e Valinhos apresentaram crescimento com 203 e 133 novos postos, respectivamente.
Segundo economistas, a desaceleração da criação de vagas pode ser resultado de fatores como uma dependência excessiva dos setores que sofreram retração e a falta de políticas efetivas para estimular o empreendedorismo. A desaceleração no setor de serviços, juntamente com a retração no comércio e na indústria, é um fator que dificulta o desenvolvimento econômico do município.
Para trabalhadores, o fechamento de empregos em Nova Odessa representa um impacto significativo na renda familiar e nas perspectivas de crescimento profissional. “Sem boas oportunidades de emprego aqui, acabamos migrando para cidades próximas que tenham melhores ofertas para trabalhar”, afirmou Paulo dos Santos, que atua em uma indústria em Americana.
Questionada, a Prefeitura não se pronunciou sobre ações para melhorar o desempenho de Nova Odessa frente à RMC.
SALDO DE EMPREGOS
EM SETEMBRO DESTE
ANO NA RMC:
Americana: 328
Artur Nogueira: 95
Campinas: 1.247
Cosmópolis: 27
Engenheiro Coelho: 12
Hortolândia: 281
Holambra: 203
Indaiatuba: 1
Itatiba: 70
Jaguariúna: 318
Monte Mor: 72
Morungaba: 23
Paulínia: 291
Pedreira: 26
Santa Bárbara d’Oeste: -19
Santo Antônio de Posse: -46
Sumaré: 354
Valinhos: 133
Vinhedo: 174
Nova Odessa: -168