Troca de declaração de óbito no HM é investigada pelo Cremesp

Denúncia foi feita por médicos que atuam na principal unidade de saúde de NO; omissão sobre a possibilidade de Covid ter causado morte de paciente teria sido para permitir velório

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O Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) determinou a abertura de sindicância para apurar se um médico que atua na rede municipal de saúde de Nova Odessa anulou uma DO (Declaração de Óbito) emitida por uma colega do Hospital e Maternidade Doutor Acílio Carreon Garcia e que apontava suspeita de Covid-19 como a causa da morte de uma paciente, tudo para permitir que a família realizasse o velório. A denúncia ao órgão – que tem a prerrogativa legal de apurar os fatos e julgar os profissionais da área – foi feita por outros dois médicos que atuam na principal unidade de saúde de Nova Odessa. O caso teria acontecido no dia 1º de janeiro deste ano.

A mesma denúncia, cujo teor a reportagem do Jornal de Nova Odessa teve acesso, também foi feita à Comissão de Ética Médica do hospital. Ela narra que uma paciente de 75 anos procurou atendimento no HM no dia 29 de dezembro com histórico de tosse e cansaço. No dia seguinte, foi entubada e colocada em ventilação mecânica. Devido à pandemia, a paciente foi transferida para a UR (Unidade Respiratória) do Jardim Alvorada. No dia 31, o médico que teria anulado o documento e que estava de plantão na UR, entrou em contato com a equipe do Hospital Municipal e disse que estaria enviando a paciente para a unidade de origem, o que não foi aceito pelos médicos que trabalhavam no HM naquele dia, por se tratar de paciente com suspeita de Covid-19.

“Mas o médico colocou a paciente na ambulância e enviou, alegando que o teste rápido de Covid foi negativo (exame com baixa sensibilidade e que pode ter resultado de falso negativo) e que havia suspeita de infarto do miocárdio. No dia seguinte, 1º de janeiro, a paciente evoluiu com piora clínica e óbito”, traz trecho da denúncia encaminhada ao Cremesp. Ainda de acordo com o documento, com base em informações passadas pelo médico que anulou o DO, de que a morte não havia sido causada por coronavírus, familiares da paciente ameaçaram a médica que assinou a declaração de óbito inicial. Assustada, a profissional chegou a chamar a polícia.

Consta ainda que o médico se deslocou até o Hospital Municipal, escreveu “cancelado” na declaração emitida pela colega e fez outro documento “omitindo a possibilidade de Covid e, desta forma, liberando o corpo para que o enterro fosse realizado. Em nota, o Cremesp, que determinou a instauração da sindicância para apurar os fatos sob o ponto de vista ético-profissional, disse que “as informações sobre andamento dos processos são disponibilizadas somente às partes envolvidas e/ou seus procuradores e que tramitam sob sigilo determinado por lei”.

OUTRO LADO. A Prefeitura foi questionada sobre a instauração da sindicância na manhã de quinta-feira pela reportagem do Jornal de Nova Odessa e se posicionou, na noite de ontem, com uma breve nota. “A Secretaria de Saúde não recebeu nenhum comunicado oficial sobre tal assunto do Cremesp. Se e quando receber, a Secretaria tomará as medidas administrativas cabíveis para o caso”, afirmou a Administração.