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Polícia Federal prende ex-ministro e pastores que estiveram em Nova Odessa por corrupção no MEC

Nova Odessa recebeu, em agosto do ano passado, uma edição do evento e está no “epicentro” do escândalo depois que servidores do próprio MEC relataram “conversas tortas” durante o encontro

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O ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, e os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura foram presos ontem pela Polícia Federal durante a operação “Acesso Pago”, desencadeada com objetivo de investigar a prática de tráfico de influência e corrupção para a liberação de recursos públicos do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação) para os municípios. Segundo as denúncias, as abordagens aos prefeitos eram realizadas em Brasília e também durante os encontros itinerantes denominados “Gabinete Itinerante”. Nova Odessa recebeu, em agosto do ano passado, uma edição do evento e está no “epicentro” do escândalo depois que servidores do próprio MEC relataram “conversas tortas” durante o encontro.

A operação de ontem foi deflagrada com base em documentos, depoimentos e Relatório Final da Investigação Preliminar Sumária da Controladoria-Geral da União, reunidos em inquérito policial, onde foram identificados possíveis indícios de prática criminosa para a liberação das verbas públicas. “O crime de tráfico de influência tem pena prevista de 2 a 5 anos de reclusão. São investigados também fatos tipificados como crime de corrupção passiva (2 a 12 anos de reclusão), prevaricação (3 meses a 1 ano de detenção) e advocacia administrativa (1 a 3 meses)”, trouxe nota da Polícia Federal.

GABINETE EM NOVA ODESSA

Nova Odessa passou a figurar no “epicentro” de todo o escândalo no MEC depois da realização de uma edição do “Gabinete Itinerante”, isso em agosto de 2021, no Ginásio do Jardim Santa Rosa, e que contou com a presença do ex-ministro Milton Ribeiro e dos dois pastores apontados como lobistas. O encontro reuniu dezenas de prefeitos.

Em depoimento à comissão de Educação da Câmara dos Deputados, em Brasília, o próprio presidente do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), Marcelo Lopes da Ponte, disse ter ouvido “conversas tortas” após o evento em Nova Odessa. “Não recebi, não me foi oferecido valores, mas onde há fumaça há fogo e eu achei por bem, falei: ‘Ministro, queria que o senhor tomasse uma providência’,  afirmou Ponte.

Já na Comissão de Educação do Senado, Vanessa Reis Souza, chefe da assessoria do cerimonial do Ministério da Educação (MEC) na gestão de Milton Ribeiro, afirmou que os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura se apresentaram em Brasília (DF) como representantes da Prefeitura de Nova Odessa e que a presença dos dois na mesa de autoridades durante o evento “Gabinete Itinerante” foi um pedido feito pela própria Administração Municipal. Ela ainda confirmou ter levado ao conhecimento do então ministro uma denúncia de pedidos indevidos de regalias após o evento em Nova Odessa.