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Moradora trava “guerra” com escorpiões, mas eles continuam aparecendo

Não, isso não é vida, viver em pânico, não dormir e viver procurando esse maldito bicho”, foi o desabafo da moradora

Em seis anos a moradora já contabilizou mais de 50 escorpiões

“Já não sei mais a quem gritar, a quem pedir ajuda, estou desesperada. Clamo a Deus que proteja as minhas filhas e me dê condições de mudar de casa (que tanto lutei para comprar), ou até mesmo de cidade. Não, isso não é vida, viver em pânico, não dormir e viver procurando esse maldito bicho”, foi o desabafo da moradora do bairro jardim Planalto, Amanda Nepomoceno.

Morando em Nova Odessa há seis anos, a moradora relatou que vive constantemente apreensiva com o aparecimento de escorpiões em sua residência. “Já fui picada enquanto dormia, agradeci a Deus que foi comigo e não com a minha filha, que na época era recém nascida, mas não agüento mais viver assim”, lamentou ela.

Amanda ainda contou que todos os cuidados são tomados, mas os escorpiões não param de aparecer. “Faço dedetização a cada quatro meses, tenho telas em todas as janelas, as tomadas são vedadas com durex e todos os ralos lacrados, mas ainda assim, já encontrei mais de 50 escorpiões nesses seis anos”, contou Amanda.

A dedetização, arcada por ela, é feita a cada quatro meses, mas a “solução” dura pouco. “A dedetização não dura muito e logo os escorpiões aparecem novamente, no começo, a dedetizadora me informou que o muro da minha vizinha possibilitava o aparecimento, cheguei a pagar um pedreiro para rebocar o muro, mas não adiantou e os escorpiões continuaram aparecendo”, relatou a munícipe.

Ela ainda contou que procurou a administração municipal inúmeras vezes, mas sem sucesso. “Perdi as contas de quantas vezes fui até a Vigilância Sanitária e a Zoonoses, tenho vizinhos que juntam recicláveis, entulhos e lixos, tem um campo abandonado em frente a minha residência, que é de responsabilidade da prefeitura, e ninguém faz absolutamente nada”, explicou ao JNO.

Cansada da situação, Amanda cogita mudar de casa. “Não agüento mais, minha maior preocupação é com as minhas filhas, fiz aquele apelo através do Facebook porque não posso continuar vivendo assim. Alguma coisa tem que ser feita, a minha parte eu faço, mantenho tudo limpo e seguro, mas a administração municipal tem que fazer a dela e achar uma solução definitiva para este problema”, pediu a munícipe.

PREFEITURA

Questionada sobre a situação dos escorpiões em Nova Odessa, a assessoria de comunicação da Administração municipal enviou a seguinte nota: “Em 2018 foram 39 picadas leves, 1 moderado e 1 grave.

Quanto a medidas preventivas, realizamos semestralmente a desbaratização em toda rede de esgoto, orientação aos moradores, entrega de panfletos e orientação nas escolas para as crianças. Também realizamos os arrastões que acaba ajudando na limpeza dos quintais das casas. A vizinhança da moradora foi totalmente fiscalizada, sendo que os proprietários foram notificados a tomar providências com relação a mato alto e acúmulo de entulhos.

A Secretaria de Saúde de Nova Odessa segue um rigoroso protocolo de atendimento nos casos envolvendo picadas de escorpião. Segundo o secretário da pasta, Vanderlei Cocato, os enfermeiros que atuam no setor passaram por inúmeros cursos de capacitação, isso desde o ano passado, para que possam diagnosticar o mais rápido possível os casos envolvendo os aracnídeos. Cocato lembrou que a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) é referência para o município no que diz respeito ao soro anti-escorpiônico.

“A gente sempre torce para que casos não aconteçam, mas se eventualmente uma pessoa é picada por escorpião, seja ela criança, adolescente ou adulto, a nossa orientação é para que ela procure a unidade de saúde mais perto da sua casa o mais rápido possível, pois lá certamente terá um profissional capacitado para o atendimento e que também fará contato com a Unicamp em busca do soro”, explicou Cocato.

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O secretário de Saúde de Nova Odessa disse também que os trabalhos de desbaratização e desratização ajudam a combater a proliferação dos escorpiões, mas ele pede que a população faça a sua parte, uma vez que o despejo irregular de entulho e móveis favorecem o surgimento dos aracnídeos. “A população precisa se conscientizar que os escorpiões vivem nesses locais: entulhos, restos de construção, móveis velhos e por aí vai. Todos temos as nossas responsabilidades”, afirmou Cocato.

Neste mês de novembro, o Setor de Zoonoses da Diretoria de Vigilância em Saúde de Nova Odessa já vai iniciar uma nova etapa campanha de desbaratização e desratização na rede de esgoto do município. Realizada a cada seis meses, ela tem como objetivo evitar a proliferação de baratas e ratos.

A orientação é que os moradores tampem ralos com panos úmidos ou sacos plásticos, vedem as soleiras das portas com panos ou fitas adesivas, mantenham as latas de lixo tampadas e fechem as caixas de gordura com cimento.

Encarregada pela Vigilância de Zoonoses, a veterinária Paula Faciulli explica que o serviço não causa nenhum tipo de mal aos cidadãos. “A empresa contratada utiliza um processo mais moderno que não emite nem fumaça”, conta ela, que faz um alerta. “No caso de ligações irregulares de águas pluviais (de chuva) na rede de esgoto, dentro da residência, pode sair fumaça”.

O serviço tem apoio da Coden (Companhia de Desenvolvimento de Nova Odessa), responsável pelos serviços de água e esgoto, consistindo na aplicação de inseticida nos postos de visita à rede de coleta e afastamento de esgoto. Após a desbaratização é realizada a desratização, aplicando iscas parafinadas nos poços de esgoto. E, após uma semana, realiza-se a reaplicação. O setor de Zoonoses orienta que ratos e baratas podem ser propagadores de doenças como leptospirose e hantaviroses, entre outros problemas. “Por isso, a campanha é fundamental para a saúde pública”, ressalta Paula Facciuli.

ORIENTAÇÕES GERAIS

A gravidade do acidente e dos sintomas varia em função do tamanho do escorpião, da quantidade de veneno inoculada, da massa corpórea da vítima e de sua sensibilidade ao veneno.

Quais são os primeiros socorros a serem prestados diante de um caso de picada por escorpião?

  • Capturar o animal, vivo ou morto, para posterior identificação da espécie, o que permitirá avaliar a gravidade do acidente.
  • Manter a vítima calma, deitada e imóvel para que a circulação seja lentificada e dificulte a disseminação do veneno.
  • Lavar bem o local da picada com água e sabão.
  • Se a picada for nos braços ou nas pernas, mantê-los elevados.
  • Aplicar compressas de água fria ou gelo, o que tanto diminui a circulação no local como produz certo nível de anestesia.
  • Não fazer torniquetes, espremer, cortar ou perfurar o local, porque isso pode facilitar a disseminação do veneno.
  • Não ingerir nenhum alimento nas primeiras oito a doze horas após a picada.