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Leitinho se cala sobre prisão de Ribeiro e pastores

Reportagem pediu ao chefe do Executivo um posicionamento sobre operação da Polícia Federal contra o ex-ministro da Educação, a quem ele classificou como “super gente boa”

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O prefeito Cláudio José Schooder, o Leitinho, não quis comentar a prisão do ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, e dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, em operação deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira para apurar suspeitas de corrupção e tráfico de influência dentro do MEC. A reportagem do JNO pediu um posicionamento de Leitinho sobre os fatos, já que a edição do “Gabinete Itinerante” realizado em Nova Odessa em agosto de 2021 está no “epicentro” de todo o escândalo  e que culminou com a queda do ministro e, agora, com a sua prisão. Contudo, até o fechamento da edição, não houve qualquer manifestação do prefeito novaodessense.

Em recente entrevista à Rádio Clube, de Americana, o prefeito Leitinho, confirmou, porém, que esteve reunido com os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura – presos pela Polícia Federal nesta quarta-feira -, num almoço em Brasília, quando esteve na capital federal em busca de recursos para Nova Odessa. Leitinho, contudo, não disse o que foi conversado entre eles neste encontro. Os dois pastores são apontados como lobistas que atuavam dentro do MEC (Ministério da Educação) e pediam propina a prefeitos para liberar recursos da pasta.

A abordagem de Gilmar e Arilton, segundo depoimento de outros prefeitos ao Senado, acontecia justamente em almoços realizados em um hotel de Brasília, onde os pastores montaram uma espécie de “QG”.

“Eu conheci os dois (pastores Gilmar e Arilton) em Brasília. Fui apresentado e saímos para almoçar. O ministro (ex-ministro Milton Ribeiro) é super gente boa, de confiança e sincero. Eu acho que ele não tem nada a ver com isso (pedido de propina). Acho que se alguém fez algo, foi esse pastor Arilton”, disse Leitinho. Não apenas Arilton, como Gilmar estiveram em Nova Odessa no dia 21 de agosto do ano passado, durante o “Gabinete Itinerante”, promovido pelo MEC e que, segundo declarações do próprio ex-ministro, foi patrocinado pela Prefeitura de Nova Odessa.

Ainda durante a entrevista, Leitinho negou que tenha ocorrido a entrega de bíblias durante o evento realizado em Nova Odessa. A compra, por prefeitos, de exemplares do livro sagrado feita pela editora do pastor Gilmar, também foi apontado como uma forma de propina. “Se tivesse (tido a entrega de Bíblias), eu teria pego pelo menos uma”, garantiu o prefeito de Nova Odessa.

EPICENTRO. Embora o prefeito Leitinho não tenha se manifestado sobre as prisões, a Prefeitura de Nova Odessa encaminhou uma nota, via assessoria de imprensa, onde frisa que não houve qualquer pedido de vantagem por terceiros ao prefeito ou ao secretário de Educação de Nova Odessa por parte das lideranças religiosas citadas nas reportagens.

“A maioria dos pedidos de verbas da Prefeitura ao MEC e ao FNDE foi anterior à realização do Gabinete Itinerante. Os recursos solicitados pela Prefeitura de Nova Odessa ao MEC e ao FNDE ainda não foram liberados”, traz a nota.