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Delator diz que escândalo do MEC foi ‘marketing’ pra Nova Odessa

“Que bom que Nova Odessa foi falada no Brasil inteiro porque as pessoas criam a curiosidade de pesquisar aonde fica”, disse o empresário

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Reprodução / Facebook

O empresário de Piracicaba José Edvaldo Brito concedeu entrevista na última terça-feira para o jornalista Gleison Alves, da TV WA Notícias, de Nova Odessa. Brito afirmou que o que ficou conhecido nacionalmente como “escândalo do MEC”, envolvendo pedidos de propina para liberar recursos do Ministério da Educação para os municípios, foi “marketing” para Nova Odessa.

A entrevista, de cerca de uma hora, foi concedida dois dias depois que o Fantástico, programa semanal da Rede Globo, mostrou a entrevista com Brito e colocou Nova Odessa ainda mais no epicentro do escândalo.

Brito é autor da denúncia à Polícia Federal do pedido – e pagamento – feito ao pastor lobista Arilton Moura no valor de R$ 100 mil para a realização do “Gabinete Itinerante” em Nova Odessa, em agosto de 2021. Moura, o ex-ministro da Educação, Milton Ribeiro, e o também pastor Gilmar Santos foram presos pela PF na última quarta-feira – e soltos um dia depois – dentro da Operação “Acesso Pago”, que investiga o pagamento de propina para liberação de recursos aos municípios através do FNDE (Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação).

Durante a entrevista ao programa local, Brito usou frases feitas para negar o envolvimento direto do prefeito Cláudio José Schooder no esquema criado para a realização do evento em Nova Odessa, atacou o vereador Sílvio Natal, o Cabo Natal, que é oposição ao prefeito na Câmara, sorriu diversas vezes e afirmou que o pedido para que o Legislativo investigasse a participação do prefeito no esquema era pura “politicagem”.

Ainda fez diversos ataques às gestões anteriores, não só de Nova Odessa, mas de outros municípios – sem identificar quais – afirmando que se o evento de Nova Odessa não acontecesse, as crianças ficariam sem merenda escolar.

Sobre a exposição negativa da cidade na imprensa local, regional e nacional, Brito tentou amenizar o impacto do escândalo. “Nova Odessa não está manchada, não. E é conversa fiada”, afirmou.

Ainda emendou: “Quando alguém fala isso, isso aí é coisa de picuinha. Ah! Nova Odessa ficou manchada nada! Vamos pelo lado de marketing. Os marqueteiros iriam dizer: que bom que Nova Odessa foi falada no Brasil inteiro porque as pessoas criam a curiosidade de pesquisar aonde fica Nova Odessa, quem é Nova Odessa”, disse o empresário.

Na segunda-feira, os vereadores que compõem a base do prefeito Cláudio José Schooder, o Leitinho, na Câmara derrubaram uma representação que pedia a abertura de CP (Comissão Processante) para apurar a conduta do chefe do Poder Executivo no escândalo no Ministério da Educação, que culminou na prisão, na semana passada, do ex-ministro Milton Ribeiro e dos pastores. Votaram pela derrubada da representação os vereadores Levi Tosta, o Levi da Farmácia; Paulo Bichof; Sebastião Gomes dos Santos, o Tiãozinho do Klavin; Antonio Alves Teixeira, o Professor Antonio; Márcia Rebeschini e Oseias Domingos Jorge. A favor da investigação, votaram os vereadores Silvio Natal, o Cabo Natal; e Wagner Morais. O presidente Elvis Garcia, o Pelé, só votaria em caso de empate, o que não aconteceu.

Brito diz que Cabo Natal é ‘radical’

Por ter votado de forma favorável ao andamento da investigação, Brito afirmou que Natal é “radical” e que vai avaliar se ele “é digno de permanecer no Avante”. Afirmou ainda que os vereadores que votaram de forma favorável à investigação agiram de forma errada.

“Como você vem falar que eu agi errado, eu não estou no seu partido eu sou Presidente do Avante municipal de Nova Odessa, você é de Piracicaba, não tenho nenhum acordo partidário e pessoal com você, minhas prerrogativas e minha missão constitucional eu faço com maestria, não faço politicagem e fui bem claro na minha decisão de abrir a CP pra averiguar as denúncias, você não conhece o meu trabalho, tinha que ter mais cautela em falar de mim, você sim está sendo político eu estou cumprindo meu papel, votei dentro das minhas razões e justifiquei meu voto, e votarei de novo”, afirmou o vereador em comentário postado no mesmo momento da entrevista nas redes sociais da TV WA.