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Carol Moura quer tirar Bíblia da sessão

Em requerimento apresentado à presidente da Câmara de Nova Odessa, vereadora pede o fim da leitura de trechos da Bíblia antes das sessões.

“A leitura de um trecho da Bíblia contribui para a divulgação, estímulo e promoção de conjunto de crenças e dogmas nela presentes, em prejuízo daquelas por ela relegadas, o que consubstancia afronta direta ao princípio da laicidade estatal” (sic). Essa foi a justificativa usada pela vereadora Carol Moura (PTN) no requerimento apresentado à presidente da Câmara de Nova Odessa, Carla Lucena (PSDB), em que pede o fim da leitura de trechos na Bíblia antes das sessões da Câmara.
Segundo o requerimento, a leitura da Bíblia traria desprestígio aos adeptos das demais religiões, “portanto, tal prática acarreta desprestígio tanto aos adeptos das demais crenças religiosas, como aqueles não adeptos de crença religiosa alguma devendo a mesma ser erradicada” (sic).
Para o munícipe Jorge Calisto, a proibição demonstra falta de sensibilidade. “Não vejo desvantagem em se fazer a leitura da Bíblia, não sou membro de nenhuma igreja, mas reconheço que a Bíblia prega coisas boas, e vamos combinar, precisamos de mais bondade no mundo, principalmente na Câmara,” explicou o munícipe.
“Na escola não se pode fazer a leitura da Bíblia, mas na cadeia pode. Já dizia a frase: Eduque os meninos e não será preciso castigar os homens”, citou o munícipe Márcio Vinicius, ao opinar sobre a proibição da leitura da Bíblia em instituições de ensino e agora, na Câmara de Nova Odessa.
O vereador Tiãozinho do Klavin (PMDB) foi taxativo ao se mostrar contrário ao pedido da vereadora Carol Moura. “Eu sou totalmente contra esse pedido. Se já está difícil com a palavra de Deus, imagina sem ela”, opinou o vereador Tiãozinho do Klavin.
Para o presidente do Copeno (Conselho de Pastores de Nova Odessa), pastor Nivaldo de Jesus Coelho, o pedido não tem sentido. “Nova Odessa é alicerçada com base na Bíblia. E nós queremos que nossa cidade continue embasada na palavra de Deus. E não vemos o porque de não poder ser mais lida na Casa de Leis da cidade”, disse o pastor.
Já para o padre Ocimar Francisco Francatto a igreja não pode interferir nas decisões do Legislativo. “Não existe uma norma em que a Câmara é obrigada a fazer a leitura da Bíblia. A palavra de Deus é inspiradora, e ela vem para inspirar o bem, mas a igreja não pode obrigar a leitura. Quem tem que decidir isso são os vereadores”, disse o padre Ocimar Francisco Francatto.
Sobre a polêmica envolvendo o pedido, a vereadora Carol Moura esclareceu. “Eu entendo que nós vereadores somos guardiões da lei e estamos aqui para fazer e cumprir a lei. Não entendo como os guardiões da lei, começam a sessão da Câmara infringindo a constituição. Sem contar que, a leitura da Bíblia não melhora a vida do cidadão, não tem efeito nem positivo nem negativo. Acho desrespeitoso com as outras religiões. Eu aprovo a leitura da Bíblia, mas não na sessão da Câmara”. A vereadora ainda garantiu que, mesmo que a leitura continue na Câmara, ela vai continuar lutando contra essa prática.

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