Paulo Medina
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Moradora do Jardim Éden, Ivanilde Aparecida Barbosa, mãe de Misael Barbosa dos Reis, de 26 anos, que morreu em um possível caso de negligência médica no Hospital Municipal de Nova Odessa em maio deste ano, pediu na Justiça o depoimento do médico plantonista que atendeu seu filho, na ação que move contra a Prefeitura, solicitando uma indenização de R$ 300 mil por danos morais.
A defesa da Prefeitura sustenta que não houve falha médica, mas a mãe do rapaz requer análise documental e testemunhal, incluindo o depoimento do médico plantonista, a fim de esclarecer os procedimentos adotados.
A ação tramita na 1ª Vara Judicial de Nova Odessa, e o juiz Luiz Gustavo Primon permitiu que as partes apresentem as provas que julguem necessárias para a instrução do processo.
O caso teve início no dia 1º de maio, quando Misael procurou o Hospital Municipal de Nova Odessa após relatar fortes dores no peito e dormência no braço esquerdo. Acompanhado por um amigo, ele foi atendido por um médico plantonista, mas, segundo a mãe, o atendimento foi marcado por descaso e desinformação. De acordo com a ação, o médico demonstrou relutância em explicar o uso de medicamentos e realizou um eletrocardiograma somente após insistência do próprio Misael. Mesmo com sintomas alarmantes, como dor intensa e vômitos, ele recebeu alta logo em seguida.
Após retornar para casa, o estado de Misael piorou rapidamente. Horas mais tarde, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória, e, apesar da ambulância ter sido chamada, Misael foi levado novamente à unidade de saúde, mas não resistiu, falecendo pouco depois da meia-noite do dia 2 de maio.
A dor de Ivanilde aumentou quando o corpo de seu filho levou mais de dez horas para ser liberado, sob condições que ela descreveu como “inadequadas”. A mãe também relata que o hospital não entregou o prontuário médico de Misael prontamente; o documento ficou “desaparecido” por dias, segundo ela. A certidão de óbito registrou a causa da morte como edema pulmonar agudo.
Em resposta à situação, Ivanilde registrou boletins de ocorrência na Polícia Civil, denunciando o atendimento e o desaparecimento do prontuário do filho.
Ao Judiciário, a Prefeitura de Nova Odessa admitiu a demora para a liberação do corpo do jovem. A mãe relata que esperou 10 horas para o corpo do filho ser liberado à funerária. Segundo a Prefeitura, a ambulância do serviço de emergência levou 21 minutos para deixar o paciente no hospital, tempo que a administração considera “dentro da normalidade”. O paciente morava a cerca de 1,4km da unidade de saúde.
De acordo com informação prestada pelo município, o chamado foi atendido e a ambulância chegou à residência da vítima em 15 minutos. No entanto, a família alegou que a demora foi maior, em cerca de 40 minutos. A Prefeitura argumenta que a “percepção de tempo pode ter sido distorcida devido ao estado emocional dos envolvidos”.