O ritmo da vida
Respiramos desde o primeiro instante. Inspiramos o mundo para dentro e o devolvemos com nossa marca única. No vai e vem silencioso do ar, existe um segredo que poucos se dão conta: só podemos dar ao outro aquilo que cultivamos primeiro em nós.
Vivemos tempos acelerados, onde servir e cuidar do outro muitas vezes se tornam obrigações, e não dádivas. Corremos para atender expectativas, cumprir papéis, atender prazos…corremos para sermos úteis. Mas nossa pressa, a nossa utilidade está servindo a quem?
E se pararmos por um instante? E se antes de nos lançarmos para fora, voltarmos os olhos para dentro?
Inspirar é acolher. É permitir-se sentir, ouvir, reconhecer quem somos além dos ruídos do mundo. Só quando nos encontramos verdadeiramente podemos oferecer ao outro algo que tenha valor. Um coração cheio transborda, mas um coração vazio desgasta, se desgasta e consequentemente fere, mesmo que por vezes sem querer.
Expirar é doar. É liberar, é partilhar, é fazer com que a nossa existência tenha impacto positivo em nós e no outro.
Então fica a pergunta: O que você está “expirando”?
Não fomos feitos para a estagnação, mas para o fluxo, para o dar e receber, para o encontro com o outro. Não há sentido em guardar o seu melhor apenas para si.
Na dança entre inspirar e expirar, vamos construindo nossa humanidade. O mundo precisa de quem cuida, de quem estende a mão, de quem vê e acolhe. Mas, para realmente servir, é preciso antes estar inteiro. A nossa vocação não é o sacrifício cego, mas o amor consciente.
Que possamos, então, respirar. Que possamos, dia após dia, encontrar sentido dentro de nós para levar ao mundo. Porque é nesse ritmo—de dentro para fora, de inspirar e expirar—que a vida acontece e que o mundo se torna, enfim, um lugar melhor.
Abraços de Paz e Bem!