Da Redação
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O Tribunal de Contas da União (TCU) constatou irregularidades nos repasses a prefeituras de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), intermediados por pastores junto ao Ministério da Educação, no que ficou conhecido como o “Escândalo do MEC”. Relatório concluiu que houve favorecimento aos pastores Gilmar dos Santos e Arilton Moura – que atuavam como lobistas dentro do ministério – e que há falta de critério para a liberação de recursos da educação.
Nova Odessa esteve no “epicentro” após sediar, em agosto de 2021, o chamado “Gabinete Itinerante”, que contou com a presença dos dois pastores e do então ministro da Educação, Milton Ribeiro, que chegou a ser preso e depois solto, em uma operação da Polícia Federal que investigava o favorecimento dos pastores na distribuição de verbas.
O relatório foi emitido em um processo aberto no TCU a pedido do Ministério Público que apura o envolvimento de pastores e gestores em desvios de recursos do MEC.
O caso foi revelado em 2022 pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, que revelou o acesso privilegiado que os pastores Arilton Moura e Gilmar Santos tinham no ministério e, inclusive, intermediavam reuniões com prefeitos para a liberação de verbas. Em troca, os religiosos teriam recebidos valores dos municípios.
GABINETE EM
NOVA ODESSA
Nova Odessa esteve no epicentro do “Escândalo do MEC” e foi citada em reportagem do programa “Fantástico”, da Rede Globo, depois que o empresário José Edvaldo Brito, de Piracicaba, afirmou ter recebido do pastor Arilton Moura um pedido de propina no valor de R$ 100 mil para trazer o evento “Gabinete Itinerante” até Nova Odessa, isso em agosto de 2021, logo nos primeiros meses do governo do prefeito Cláudio José Schooder, o Leitinho. Segundo o próprio empresário, quatro depósitos foram feitos a pessoas ligadas ao pastor, que totalizaram R$ 67 mil.
“Eu descobri que o ministro tinha um gabinete itinerante. Os técnicos do FNDE iam para um determinado município organizar um evento em parceria com os municípios”, disse Brito, em entrevista ao programa “Fantástico”, da Rede Globo. O FNDE é o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, órgão que distribui recursos do Ministério da Educação para estados e municípios. O prefeito Leitinho chegou a ser alvo, inclusive, de um pedido de CEI (Comissão Especial de Inquérito), mas o caso foi arquivado pela maioria dos vereadores.
Meses após a realização do “Gabinete Itinerante” em Nova Odessa, o prefeito Leitinho anunciou a construção de uma creche no Jardim Campos Verdes, com R$ 2,5 milhões em emendas do Ministério da Educação, mas a unidade escolar não chegou a sair do papel.